Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Economista, estudioso do mundo que me cerca.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A real tragédia grega

Momento complicado vive a Grécia. Com a economia em crise, baqueada por taxa de desemprego em 16%, situação de queda no PIB e defasagem de salários, Atenas passa por uma grave situação, digna de alerta máximo para um possível colapso. Para ajudar o país a se reerguer, a União Europeia e o FMI exigiram comprometimento do governo grego no tocante a algumas medidas assecuratórias de que, quando a economia voltar ao normal, os compromissos serão honrados. E foi isso que o Parlamento grego fez. Aprovou um pacote de austeridade, reduzindo salários, exonerando empregados públicos, cortando gastos governamentais, elevando alíquotas tributárias e, consequentemente, provocando gritaria geral da população grega. O que o povo não concorda é com o fato de se submeter a exigências externas para obter um empréstimo que não garante quando e se o país se recuperará da crise. Ademais, o governo grego deveria dividir o prejuízo com o povo, o que tal pacote não propõe, quando, no máximo, o governo privatizará algumas de suas empresas e cortará algumas de suas despesas. Enquanto isso, do lado mais fraco da corda, o povo sofre com desemprego, diminuição da renda média e aumento de seus gastos. Ora, que a Grécia precisa de sacrifícios, isso é indiscutível, porém, crise econômica é culpa, principalmente, do governo, que falhou na adoção de medidas, na regulação de mercados e na blindagem de sua economia interna. O parlamento, ao aprovar o pacote de austeridade - ou degola, como quiser-, verdadeiramente, ao seu povo, deu um presente de grego.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Economia brasileira, segundo a Moddy's.

Veja:
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/moody-s-melhora-classificacao-de-risco-do-brasil

Comentários: Segundo a agência de classificação de risco Moody's, o Brasil merece um rating melhor, o que representa uma maior capacidade de liquidação de suas dívidas. Bom, até aí, nenhuma novidade, já que, com o dólar baixo, o Brasil pode constituir reservas, além do seu caixa bem recheado de tributos pagos por nós. As principais justificativas da agência para o melhoramento do país em sua economia se baseiam no tripé aperto fiscal- estrangulamento do crédito- medinho da inflação(classificações minhas, só para ressaltar). Bom, a política fiscal contracionista praticada pelo governo federal desde o início do ano, elevando alíquotas de tributos em todos os setores da economia, fazendo encarecer custos de produção, produtos em geral e, consequentemente, elevando o nível geral de preços- opa, o nome disso não é inflação?-, parece ser uma boa prática para a agência Moody's. Se o Banco Central aumenta os juros, asfixiando o mercado de crédito, impossibilitando compras a longo prazo, transferindo para o povo todo o ônus de sua incompetência em evitar a inflação, palmas para ele, tal política é louvada em pleno século XXI, fazendo a minha ciência econômica estacionar, aliás, voltar no tempo, onde a única forma de se conter alta generalizada de preços era segurando o consumo, sem considerar que outras variáveis como redução da carga tributária podem baratear custos, posssibilitando uma redução de preços pela oferta estendida, não pela demanda contraída. Por último, para o governo e o BC, inflação é sinônimo de doença, em qualquer patamar, seja 2 (dois) ou 10 (dez) por cento e, qualquer esforço para evitá-la é mais importante, mesmo que isso afete crescimento do PIB. Sinceramente, para o desenvolvimento do país em si, a melhora na classificação de risco é importante para a atração de investidores, porém, como benesse real para o brasileiro não significa nada.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma verdadeira covardia!

É realmente inacreditável que o Congresso Nacional, composto por homens e mulheres teoricamente do povo, tenha aprovado a Lei 12.403/2011. Para quem não sabe do que se trata, tal lei traz novas restrições às prisões em flagrante e preventiva, reduzindo a possibilidade de aplicação dessas prisões a crimes considerados gravíssimos. A lei mencionada inova, ao prever as chamadas "medidas cautelares" que servirão como alternativa às prisões em flagrante e preventiva. Um exemplo é o artigo 313 que diz:

“Art. 313.  Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: 
I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos;

Isso quer dizer que crimes como homicídio simples, porte de armas de uso restrito, lesão corporal gravíssima, roubo com emprego de arma, corrupção, entre outros, poderão ter sua prisão convertida em uma medida cautelar como, por exemplo, monitoramento eletrônico. Ora, com a ineficiência do sistema prisional brasileiro, que permite fugas de presos de alta periculosidade de dentro de suas penitenciárias, achar que vai ser possível rastrear os passos dos bandidos com monitoramento eletrônico é extrapolar todos os limites de subestimação do povo brasileiro. Trata-se de um exemplo hipócrita incomparável em toda história da legislação penal brasileira. Tais crimes, mencionados anteriormente, poderão ser afiançados pelo próprio delegado, sem necessidade da atuação do juiz. Isso é inaceitável, dentro da ótica constitucional, que está sendo demasiadamente distorcida por nossos legisladores que, aliás, mantêm suas imunidades prisionais intactas.

Para findar, paralelamente a toda essa covardia praticada pelos congressistas, ainda fala-se e pratica-se a intenção de desarmar a população. Ou seja, o cidadão de bem, o pai de família, além de ter insegurança quanto à possibilidade de esbarrar com um criminoso nas ruas, beneficiado pela nova lei, estará obrigado a ficar inerme, completamente à sorte da ação de bandidos, deslegitimando qualquer tipo de defesa sua e de sua família. A meu ver, tal lei deveria ser considerada inconstitucional pelo STF, e existem argumentos constitucionais idôneos para isso. Ainda não terminei, só por hoje.




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Artigo: A verdade sobre o PIB

Bom, primeiramente, ressalto que a matéria a ser tratada neste artigo possui um grau elevado de complexidade e análise, portanto, exporei o assunto de maneira rasa e sucinta, para que o leitor entenda minha proposta. Destarte, quero comentar acerca de uma reportagem que vi na TV há uns dias, que dizia: " uma boa notícia para nós, brasileiros: O PIB (Produto Interno Bruto)-que é a soma das riquezas produzidas no país- cresceu no primeiro trimestre de 2011, com relação ao mesmo período de 2010". Observei, na esperança de que haveria uma explicação razoável para isso, porém, como eu previ, não houve.
O PIB (ou demanda agregada) é composto, segundo John Maynard Keynes, da seguinte fórmula:

Y= C+I+G+X-M, onde Y= RENDA AGREGADA; C= CONSUMO DAS FAMÍLIAS; I= INVESTIMENTO DAS EMPRESAS; G= GASTOS GOVERNAMENTAIS; X= EXPORTAÇÕES; M= IMPORTAÇÕES.

Dessas variáveis, apenas as importações contribuem negativamente na composição da demanda, ou seja, quanto mais se importa, menos se cresce.
No cenário econômico atual brasileiro, o PIB está sendo puxado, principalmente, por consumo das famílias e gastos do governo. Apesar de contribuirem positivamente para o produto, tais componentes provocam um efeito colateral grave: INFLAÇÃO. Ou seja, analogicamente, é como saciar a fome. Podemos fazer de duas formas: Alimento saudável e alimento gorduroso. O último pode nos saciar, todavia, a médio e longo prazos, acarretará problemas na nossa saúde. Assim é a economia. Consumo e gastos são gordura. Então, o que temos no Brasil atualmente é um crescimento não-saudável.
De outro lado, temos Investimentos e Exportações. Esses são saudáveis. Mas, como os empresários vão investir em produção com a alta carga tributária que temos? Como os nossos produtores vão exportar, com a nossa moeda alta, o que encarece seus produtos no cenário internacional? Dessa forma, crescimento impulsionado por Investimentos e Exportações ocasionariam desenvolvimento econômico, que é mais sustentável, mais promissor.
Portanto, caro leitor, quando o nosso PIB cresce, não significa enriquecimento justo, desenvolvimento econômico, se aquele se baseia em consumo irresponsável das famílias e gastos desenfreados do governo. Está dado o recado.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Isto é democracia?

Assista ao vídeo:

Comentários:
Esta é a jornalista e economista Salete Lemos, da CNT e também da TV Cultura. Bom, era da Tv Cultura, né, pois depois desse vídeo ela foi DEMITIDA. Simplesmente punida, por exercer um direito CONSTITUCIONAL, previsto no artigo 5º, inciso IV, da Lei Maior: "É livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO o anonimato" (grifo nosso) e, também, no inciso IX: " É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de COMUNICAÇÃO, independentemente de CENSURA OU LICENÇA" (grifo nosso). É claro que a empresa  pode demitir quem quiser, amparada na Livre Iniciativa, que é um fundamento da República Federativa do Brasil. Porém, a motivação não pode, mesmo que mascarada, advir dessa atitude da Salete. Seria ARBITRARIEDADE. Lembro-me bem das aulas de Direito Constitucional, quando o eminente professor dizia, em sentido lato, que as regras constitucionais existem para regularem a conduta da sociedade e para inibirem o arbítrio estatal. Se a nossa liberdade de expressão, na prática, é tolida dessa maneira, então a Constituição se torna letra morta, dando margem à ditadura em pele de democracia, condicionando atitudes como essa, da empresa, covardes e crassas.